08 março de 2024 | 21h30

pel' A Companhia João Garcia Miguel

 

A interminável tarefa que será o comentário à obra de Fernando Pessoa remete-nos, desde logo, para duas questões capitais que são uma constante e um traço verdadeiramente distintivo do corpus literário do autor. Por um lado, a compulsiva multiplicação de um regime de heteronímia, por outro, a verdadeira mise en abyme provocada pelo reenvio constante para uma intricada tessitura intertextual auto-referencial, onde muitas vezes distintas constelações de heterónimos se cruzam e tocam. 

Num espetáculo interpretado por um ator e um músico, somos levados numa aventura de desdobramentos, de diálogos entre a infância e a adultice; num jogo entre locais conhecidos e desconhecidos, geografias interiores e exteriores. Uma consciência que antecipa a nossa própria consciência e condição, um hino sensacionista à redenção e sobre essa contemporaneidade que foi a de Pessoa e que agora, por mais estranho que possa parecer, é aquela em que nos detemos por nos estar ainda tão próxima e presente. 

Um monólogo que é muitos diálogos com o mundo inteiro, dividido nas suas múltiplas aparições como uma noite estrelada ou os aromas texturais de uma brisa marítima. Uma proposta teatral em que os principais elementos são o som, a luz, a espacialização cénica e a eterna ironia.

- João Garcia Miguel

 

Encenação e Interpretação - João Garcia Miguel
Criação e Composição Musical - Vítor Rua
Figurinos - Rute Osório de Castro
Assistência de Encenação - Gustavo Antunes
Direção Executiva - Suzana Durão
Gestão Financeira - Rui Pedro Silva
Direção Técnica - Bruno Boaro e Gonçalo Lobato
Produção - Ricardo Domingos
Direção de Comunicação - Rita Caetano
Comunicação Digital - André Filipe
Design - Joana Torgal
Fotografia - Mário Rainha Campos e Rodrigo Fonseca
Registo Vídeo - Bruno Canas e Rodrigo Fonseca

 

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8€ | 75 min | M/12