História

 

Nos anos quarenta do séc. XX surge o Cine-Teatro de Alcobaça, na Rua Afonso de Albuquerque, com comodidades e adaptado aos novos tempos que surgiam na época, este novo edifício é propriedade da empresa Almeida, Monteiro e Leitão, no entanto, é ao espírito empreendedor de João D’Oliva Monteiro que se deve a idealização desta nova sala de espetáculos da autoria do ilustre Arquiteto suíço que se estabeleceu em Leiria em 1890, Ernesto Korrodi e de seu filho Camilo Korrodi.

O Arquitecto Ernesto Korrodi muito fez pelo património edificado do nosso país. Para além do seu vasto trabalho na recuperação do património histórico - como é o caso da recuperação do Castelo de Leiria - foi um dos expoentes da Arte Nova em Portugal, tendo recebido vários galardões entre os quais o Prémio Valmor.

Morre a 3 de Fevereiro de 1944, tendo o seu espólio documental sido dividido em dois. A parte técnica permaneceu no gabinete do filho, Camilo Korrodi e de outro arquitecto, Celio Cantante, enquanto que a parte escrita, correspondência e apontamentos diversos estão na posse de outros familiares herdeiros.

O estilo arquitectónico do Cine-Teatro de Alcobaça é só por si bastante interessante uma vez que conjuga harmoniosamente vários estilos e períodos. O Arquitecto Ernesto Korrodi (pai) era claramente um defensor da Arte Nova tal como referido anteriormente, enquanto que seu filho, Camilo, seguia as novas correntes arquitetónicas em voga, inserindo no edifício alguns elementos dos finais do período da Arte Déco com transição para o Modernismo/Funcionalismo, o que conduziu ao resultado a que muitos nos habituámos a ver ao longo dos anos.

O edifício do Cine-Teatro de Alcobaça é um feito importantíssimo não só na carreira dos Arquitetos Korrodi, como também na história da arquitetura portuguesa dos anos 40.

Não se pode deixar de salientar o grande interesse arquitetónico do painel escultórico em baixo-relevo na fachada principal, da autoria de Luís Fernandes, que tanto brilho confere àquele edifício.

No dia 18 de dezembro de 1944 inaugura-se o Cine-Teatro de Alcobaça, considerado por muitos um dos mais belos do país, não ficando abaixo dos mais chiques da capital. A lotação da sala, na época, era de 732 lugares e as exibições cinematográficas eram às quintas-feiras e aos domingos.

No programa inaugural de 18 de dezembro constava a comédia em três atos – “A velha rabugenta”, da Companhia da atriz Maria Matos. Nos dias 19 e 20 de dezembro, a mesma companhia apresentou as peças a Marechala e o Fiel Amigo, cada uma delas também com três atos.

Depois disto, o Cine-Teatro foi apresentando peças de teatro, revistas, concertos e filmes ao longo dos anos, tornando-se o foco principal da vida social e cultural de Alcobaça e seus arredores.

No final dos anos 80, a sala do Cine-Teatro de Alcobaça passa a ser explorada pela Empresa Lusomundo, exibindo filmes aos Domingos, terças, quintas, sextas e sábados.

Em 1998 a Câmara Municipal de Alcobaça adquire o edifício com o intuito de proceder à sua recuperação, o que finalmente acontece em 2002 com o início das obras de recuperação e reconstrução do novo edifício do Cine-Teatro de Alcobaça.

A 12 de novembro de 2004 encontramo-nos perante uma nova fase da história deste edifício, com a sua reabertura ao público.

O espaço foi completamente reabilitado e adaptado às novas necessidades, com equipamento de som, luz e palco, capaz de acolher qualquer espetáculo.

Para além do Grande Auditório, a sala principal, que tem 311 lugares sentados e uma excelente acústica, foi criada outra sala, o Pequeno Auditório, com 64 lugares sentados.

Quatro camarins com um leque completo de comodidades e serviços garantem aos artistas o espaço merecido.

O Bar também foi reabilitado, oferecendo um serviço complementar aos espectadores.

Foram também criadas salas de trabalho que permitem à equipa a preparação de todo o trabalho de produção dos espetáculos e de gestão do edifício.

A 20 de agosto de 2010 o equipamento passou a designar-se: Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro, uma justa homenagem a João D’Oliva Monteiro e à sua família pelo legado deixado a todos os alcobacenses.

Nesta nova etapa, o Cine-Teatro passou a ser uma sala de referência nacional. A programação, eclética e de qualidade, abrange todas as áreas das Artes Espetáculo (música, dança e teatro) dando lugar aos maiores nomes nacionais e internacionais, como também aos prestigiados artistas profissionais de Alcobaça e às formações amadoras locais.

Passaram pelo Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro nomes como o Ballet Estatal do Palácio da Música de Kiev, Delfins, Mafalda Veiga, Sérgio Godinho, Raul Solnado, José Pedro Gomes, Mário Marques, António Feio, David Fonseca, Mário Laginha, Pedro Abrunhosa, António Rosa, Michael Nyman, Lloyd Cole, Rita Guerra, Jorge Palma, André Sardet, Brad Mehldau, Eunice Muñoz, Blind Zero, Companhia de Bailado Contemporâneo de Alcobaça, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Sérgio Carolino, Ballet Nacional da Croácia, Clã, João Pedro Pais, Manuel Campos, Bernardo Sasseti, Ana Moura, Stacey Kent, Kenny Garret, Lisa Ekdahl, Madredeus, Nouvelle Vague, António Pinho Vargas, Paulo de Carvalho, Quorum Ballet, The Gift, Carminho, Dead Combo, Camané, Anjos, Deolinda, Rita Redshoes, Rui Massena, entre muitos outros.